Se passam os anos
Se passam os anos. Não sei como se passam os anos. Só sei que se vão, voam, correm Escapam. Caminham em fila indiana. Para onde vão eu não sei... Só sei que eles passam, um após o outro e o vento nos empurra, nos carrega nos faz de barcos perdidos em oceanos improváveis. Desconhecidos. Tenho vivido ano após ano... Caminhei, corri, Voei. Encarei becos, montanhas, Desfiladeiros fui por onde não conhecia. Me perdi, me encontrei Me esqueci, me lembrei Meus pés continuaram, seguiram sua sina de andar continuei caminhando. Olhava pra dentro, por vezes ignorava a paisagem com algo aqui dentro, bem no fundo sem saber se foi sua imagem gravada, se foi sua lembrança guardada como foto no fundo de uma caixa secreta em meio ao deserto do fundo da alma, onde custa chegar. Não me lembro se era novembro, setembro ou outubro o muro se ergueu e eu fiquei deste lado com minhas linhas escritas, perdidas, escondidas. Com meus versos rasgados Meus cadernos em branco Pisquei os olhos, voltei a piscar os anos fizeram sua fila e saíram pela porta aberta. Amei, sorri, chorei. Nos reencontramos ao entardecer, perto do mar o muro tornou-se ruínas não sei se foi o vento... que soprou a nosso favor Hoje temos o vento, as músicas, os versos lembranças de dias de sol de madrugadas de sábado e eu escuto as palavras que pareciam perdidas no tempo ecoando por anos chegando até aqui, como a sua fotografia agora retirada de minha caixa de lembranças presa com clips à capa de meus cadernos em branco reabilitados, impossíveis de se preencher de outra forma. PRO
Escrito por Paulinho às 22h38
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Da natureza dos balões
Meu querer não é da natureza das forjas ou das correntes, se assemelha aos balões. Procura atrair o seu brilho dos olhos, não aprisiona-los como espelho. Não quer te acorrentar ao pé de estátuas. Você me trouxe a brisa do litoral, a serenidade de peixes, de Li podendo ser também tempestade. Por isso, hoje me sinto tão bem, te sinto comigo e está comigo, tenho teu olhar guardado, teus lábios marcados em meus lábios, como teu rosto nas pontas de meus dedos, como tua imagem em minha retina Aqui. Se te quero mais um pouco, mais de perto, se me quero mais seu e você mais minha não é um querer da natureza da posse é o bem querer que não sei ocultar. É da natureza das nuvens, Da natureza da chuva ou das folhas ao vento. Se te quis, não passaria a vida sem dizer “te quero” E você sabe, te quero. Sei que te tenho nas pontas dos dedos que tocaram teu rosto, que tocarão ainda teu rosto, no meus lábios, no meu coração metafórico, nas minhas fortes e serenas memórias recentes; afetivas, olfativas... Bem aqui PRO
Escrito por Paulinho às 22h24
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Prece
Abençoaria Teus Lábios fosse deus, fosse um santo abençoaria Teus Lábios como humano, eu cultuo faço Deles Iemanjá faço oferendas a Teus Lábios jogo rosas ao mar juro amor eterno a Teus Lábios mesmo se um dia ressecados mesmo se faltar batom, protetor labial ainda assim, seria Teu fiel
Se fosse empreiteiro, desviaria cimento desviaria tijolos construiria um altar a Teus Lábios se possuísse contrato com o governo construiria um santuário a Teus Lábios Teus Lábio trangridem o politicamente correto comportam o impesável, suportam o pecado
se estivesse distante se tivesse tempo passaria dias e noites em frente ao computador observando Teus Olhos como cada pixel forma Teus Olhos os pixels do meu computador não são dignos compraria um tela HD observaria o marrom dos Teus Olhos como o marrom dos Teus Olhos se espalha como cria luz própria buscaria as ciências ocultas para entender a física não dá conta dos Teus Olhos a racionalidade ocidental não explica inventaria uma nova ciência para estudá-los seria graduando eterno
P.R.O
Escrito por Paulinho às 12h17
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escada abaixo
Olá meus caros! Após uma maratona de cerca de 12 horas de séries, nessa altura da madrugada, me saíram uns versos. Engraçado ... Te entendo pelo avesso te meço, arremesso meus sentimentos em você se esquiva e eu grito por dentro arranca o corrimão e eu caio rolo escadas abaixo procuro tua mão Te apanho flores me exige um jardim me acusa dos espinhos e eu sózinho os arranco assim vou polindo pétala a pétala e seguro tua mão me entende pelo avesso te esqueço finjo o rogado pelo espaço de um suspiro e eu sinto teu cheiro e eu sinto teu cheiro relembro teus beijos já voltei pra você abandono o lampejo não te esqueço mais e a gente vai caminhando te aperto em meu peito te mostro o quanto desejo te abro a porta te puxo a cadeira você me enforca com a corda que atirei pra você E você me arranha crava as unhas em mim e eu te vejo assim possuída com os olhos virados cabelos esvoaçados tomo você e você me toma te deixo uma marca você se tatua em mim e continuamos assim revirando o avesso P. R. O
Escrito por Paulinho às 04h33
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Tentativas musicais
Faz tempo que tento fazer umas músicas. Recentemente, reencontrei um amigo e vamos colocar isso em prática. Enquanto não acontece, vou postar os versos... Valeu, meus caros seis! Espero que ainda passem por aqui! Feliz 2011!
Agora eu vou ter que caminhar encontrar outro lugar para ver o sol nascer sinto que sempre caminhei com você e agora já não sei como sozinho caminhar porque a vida deixa coisas para trás e eu já não sei mais o que devo buscar então se vire, veja sempre esteve aqui nossa razão pra seguir agora separados tanto faz
Não quero mais chorar ao amanhecer me perder ao entardecer quando é grande a solidão eu reconheço a dor de deixar pra trás mas não posso mais... tenho que esquecer
Velas rasgadas mastros quebrados caminho ao acaso sem ter onde chegar sem caminho sem destino mais uma vez sozinho, sem ter onde aportar talvez em meio ao vasto mar eu possa encontrar a velha ilha perdida onde me deixei pela primeira vez para encontrar o que não conhecia
P. R. O
Escrito por Paulinho às 03h28
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Um dia, eu sei, vou olhar para trás e verei que tudo deu errado e verei que tudo deu certo não sei o que verei
Talvez nesse dia eu esteja sozinho talvez eu então tenha filhos tenha alguns fios de cabelo a menos ou os poucos que me restarem estarão brancos talvez, terei deixado meus medos para trás perdidos em um tempo em que meu coração palpitava talvez eu tenha saudades
talvez nesse dia eu ainda sonhe com lugares na França e viagens de ônibus com casebres de madeira com manhãs preguiçosas de domingo com a brisa do litoral e nomes invertidos ou talvez eu não sonhe quem irá me dizer
talvez um dia eu ainda espere ou quem sabe eu tenha encontrado aquilo que eu não sei o que é aquilo que não sei por que busco algo para o qual me faltam as palavras que foge da imprecisão do talvez
P. R. O.
Escrito por Paulinho às 04h18
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Espelho interno
Escrevo sobre pedras e tijolos nem sempre metafóricos nem sempre concretos meus tijolos não constroem casas minhas pedras nem sempre constroem pontes
escrevo sobre o abstrato que levo aqui dentro sobre as imagens que se formam no meu espelho interno confundidas com uma realidade que nem sei se existiu não sei se ele reflete o que está dentro ou o que está fora
talvez nunca tenha escrito sobre nada que não esteja dentro de mim que só aqui faz sentido coisas jogadas num buraco sem fundo sem bordas sem sinalização que minhas pedras e tijolos metafóricos não preenchem
P. R. O.
Escrito por Paulinho às 23h21
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plano A
Queria massagear os seus pés cedo ou tarde doloridos ou não no momento em que te encontrasse queria massagear os seus pés
queria olhar nos seus olhos queria rever a luz dos seus olhos esse jeito de olhar que nem uma popstar possui queria olhar nos seus olhos mergulhar nos seus olhos alcançar sua alma sentir seu espírito mais uma vez, por mais alguns minutos, que seja queria olhar nos seus olhos
queria tocar os seus lábios (sim, queria sua língua também) não só pelo prazer de tocá-los de sentir os seus lábios entre os meus mas para ver o seu rosto para ver como muda o seu rosto a serenidade que se espalha por ele a sombra que se espelha por ele o rubor que se espalha por ele pouco antes de seus lábios tocarem os meus
mas eu queria me deitar com você (sim, eu queria me deitar com você) queria sentir o seu corpo afinal, quem não iria querer sentir o seu corpo? tanto quanto isso, queria acordar com você mesmo que fosse por uma só vez queria acordar com você quem sabe ao abrir meus olhos encontar o seu olhar sobre mim seus lábios e seu corpo esperando por mim queria acordar com você
queria passar com você uma tarde de sábado uma noite de sábado uma manhã de segunda queria estar com você
não queria encontrar uma garrafa com um gênio que atendesse pedidos pois não quero desrespeitar seu livre arbítrio te quero livre melhor se passar por aqui em direção aos meus braços aos meus lábios ao meu leito
ao meu sofá rasgado
queria massagear os seus pés
P. R. O
Escrito por Paulinho às 22h14
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Vou esperar por agosto
maio me parece um bom mês pra sair vou me sentar no meu apartamento ou num banco de ônibus observar a vida passar pela janela acenar para as minhas frustrações lá de fora talvez elas acenem pra mim
vou esperar por agosto e quando for mais velho quem sabe também seja mais sábio mais feliz mais sorridente talvez em agosto minha cabeça não doa meu coração não palpite talvez aprenda a esquecer esqueça como amar deixe para trás
vou esperar por agosto
P. R. O.
Escrito por Paulinho às 21h49
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A montanha que virou pó
Da primeira vez que ouvi falar me pareceu ser aquela uma montanha chegada a devaneios cinematográficos, ou então membro de algum fã clube do ator que em tempos idos se vestia de frango para ganhar o pão. Não fazia muito tempo que havia passado por lá, mas segundo o que me chegava aos ouvidos, a velha montanha que antes sustentava neve em seu cume como sintoma de sua condição de anciã, havia diminuido pela metade. No início não entendi. Por que uma montanha buscaria a juventude à custa da perda de sua vista para o mar? Por que iria querer perder a imponência. Simplesmente não encontrava a resposta. Não pude me deslocar naquele momento. Estava incapacitado de percorrer as centenas de quilômetros que me separavam dela. Mas as notícias continuaram chegando. Primeiro pelos amigos, que conheciam o meu respeito e admiração pela montanha. Depois pela imprensa oficial, que não conseguia descrever com a sua ciência jornalística o estranho fenômeno. A montanha, em determinados espaços de tempo, diminuía em progressão geométrica. Logo desapareceria. Não pude mais esperar. Vesti minhas botas. Peguei o primeiro ônibus. Ao fim de algumas horas estava onde um dia se encontrava a montanha frente a qual havia tido momentos felizes irrecuperáveis. Era, quando a reencontrei, da minha altura. Nada mais que um pequeno amontoado de pedras e terra. A encarei. É claro que não olhei nos olhos nem conversei com ela. Não seria minimamente verossímil falar tamanha bobagem ou escrever sobre semelhante ilusão. Olhei sim onde imaginava que, fosse provida pela natureza com a faculdade da visão, estariam os olhos. Foi então que entendi. Entendi o que se passava com a minha velha conhecida quando notei que a fisionomia que sustentava não era aquele marcada pela felicidade da recuperação do tempo, pelo rejuvenescer. ERa uma cara de decepção, de sofrimento, de quem havia sido surrado. Compreendi que ela sofria de cólera, ou de amor, que nas palavras do grande escritor tem os mesmos sintomas. A cada decepção, a cada desilusão, a montanha se voltava para dentro. Diminuía de tamanho. A pobre montanha possuia dimensões que nem de longe se comparavam com as da época que a conheci. Era simplesmente o que havia restado dela. Virei as costas e saí. Sabia que em pouco tempo ela não seria mais visível. Se tornaria uma partícula minúscula; pó. Dias depois, o desaparecimento da montanha foi noticiado com grande alarde. Fiquei pensando em quantas montanhas já havia varrido do chão do meu apartamento, identificando-as apenas com a sua condição final; com o seu aspecto de pó. Mas então entendia o sentimento destas partículas incômodas e imperceptíveis individualmente. Ou simplesmente atribuia a elas algo que era meu.
P. R. O.
Escrito por Paulinho às 03h31
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Falta de talento
Sei escrever sobre corações partidos tudo que sei escrever é sobre corações partidos reconheço o som reconheço a imagem como um relojoeiro sabe quando há algo de errado em um relógio mesmo quando tudo parece normal mesmo quando o atraso se nota após dezenas de dias, contados em fila
Meus dias não são contados mas passam um após o outro em patética fila indiana enquanto caminho em meio à multidão dos rostos sombrios e desconhecidos que tentam esconder com essa imagem o som de corações que se encontram descompassados
Mas meu coração não está partido talvez acorde com o coração vazio talvez eu reconheça o ruído mas corações vazios emitem som? eu não sei me perguntem pela manhã
P. R. O.
Escrito por Paulinho às 02h26
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Vou escrever sobre uma montanha. Amanhã o texto estará aqui. até
Escrito por Paulinho às 01h37
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Entrei aqui pra ver a contagem de visitas, só por curiosidade. Grata surpresa notar que, mesmo sem escrever há algum tempo, vocês ainda passam por aqui. Valeu! Amanhã mesmo vou postar algo. Abraços até amanhã ... ou até o dia desta segunda ou madrugada que se segue. Paulo
Escrito por Paulinho às 01h35
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Como se transforma sentimento em palavras com a precisão que se busca? Se existisse uma ciência que tratasse disso, seria, com certeza, a mais abstrata de todas. Isso porque os sentimentos não possuem a concretude do mundo físico; não se medem por metros cúbicos, por léguas, nem pelo número de linhas de uma carta ou pelo número de poemas rabiscados nas madrugadas. Talvez pudessem ser medidos de alguma maneira mais adequada a eles, por exemplo, poderia-se comparar a intensidade de um sentimento com o tempo de vida das borboletas. Tenho algumas aqui, caso alguém queira fazer esse experimento. Sei lá. Ando abstrato. Paulo
Escrito por Paulinho às 02h08
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Observo o horizonte com meus olhos e meu peito abertos sinto o que sentia e sentirei e eu sei o calendário não muda esse vento nem o jeito que eu sinto P. R. O.
Escrito por Paulinho às 01h59
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